domingo, 19 de junho de 2011

Sensacionalismo Fantástico


Desde a semana passada, pensei seriamente em voltar por aqui para comentar sobre esta reportagem.

O Fantástico fez uma reportagem que me pareceu um tanto sensacionalista, romanceando o fato de brasileiros irem fazer faculdade em países vizinhos.
Na verdade, a maioria vai só porque é mais fácil de passar... e depois, independente da qualidade de sua formação, querem atender as pessoas por aqui.
Quem paga o preço?

Já tive o prazer de ser preceptora de médicas de países vizinhos que são de ótima qualidade e que vieram para o Brasil em busca de aperfeiçoamento de sua formação.
Mas, só esta atitude já mostra que são diferenciadas.

Precisamos de ensino de qualidade e a luta é grande aqui dentro...

Me preocupa este aparente "incentivo" da Globo. Mas, cada um tem o direito de ter sua opinião.

Quer saber mais e comentar? Segue um trecho... O título é link para a página de origem, onde tem o vídeo da reportagem.

Médicos formados fora do Brasil não conseguem trabalhar

Jovens brasileiros estudam medicina em universidades de países vizinhos, onde a mensalidade é mais barata, mas, na volta ao Brasil, não conseguem registro para trabalhar.

São as histórias de milhares de estudantes brasileiros que buscam em faculdades de países vizinhos a realização de um sonho: virar médico. Eles sofrem com a distância das famílias, com a falta de dinheiro e de conforto. Quando voltam ao Brasil, formados, ainda têm que enfrentar mais um drama. A reportagem é de Eduardo Faustini.

Na classe de uma faculdade de medicina na Bolívia em dia de prova, apenas um aluno era boliviano. Todos os outros eram brasileiros.

Teste de postagem

Depois de um tempo sem entrar por aqui, parece que deu zebra no meu blog. :-/
Esta postagem é apenas um teste e um aviso de que estou voltando...
Aqui é um espaço para trocas bem interessantes, mas andei deixando de lado.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Academias investem em espaços para crianças

Procurando seu email no Google, achei uma reportagem antiga mas ainda atual com comentários do Dr Renato Farme D'Amoed, médico pediatra, pneumologista pediátrico e um querido amigo. Com orgulho, meu "ex-staff" da época de residência.
Estou postando porque, apesar de ser de 2002, ainda é super atual!


"Duas vezes por semana, a pequena Juliana Moreira de Souza, 8 anos, sai da escola e vai para a academia Ibeas Top Club, em Botafogo, ter aula com sua personal trainer. Personal trainer? Pois é, essa é uma entre as várias atividades que as academias do Rio estão implantando para atender uma nova clientela. As crianças já representam 25% das matrículas nos espaços de malhação da cidade. "Hoje, queremos satisfazer do pequeno até o idoso. As famílias estão procurando um lugar seguro para ficar juntas", diz André Ibeas, dono da academia. Há três anos no Ibeas, Juliana foi a primeira dos quatro alunos da personal infantil Ana Laura Boa Ventura. "As crianças chegam aqui por recomendação médica, com problemas de postura, causados pelo excesso de peso nas mochilas, ou de colesterol alto, devido à má alimentação", conta Ana Laura. Nas aulas, os alunos fazem movimentos de dança, alongamento, exercícios na cama elástica, com bolas e com cordas. "Eu monto as atividades de maneira lúdica para que eles se mantenham interessados nos exercícios, que são sempre específicos para suas necessidades", diz a professora.

Criar atividades apropriadas para seus pequenos alunos foi uma das preocupações da empresária Viviane Kurtenbach quando abriu a Velox, em Botafogo, há seis meses. O muro de escalada, com 14 metros de altura, é uma das atividades mais concorridas. "As crianças já não sobem em árvores. Escalar o paredão é um desafio para elas, e os pais sabem que é seguro", afirma a empresária. Além de desenvolverem opções adequadas para os pequenos, as academias estão providenciando adaptações em sua estrutura. Na Estação do Corpo, na Barra, foi construído um vestiário especial, o Kidsroom, com 60 metros quadrados. Ali, chuveiros, pias e vasos são proporcionais ao tamanho dos usuários. Tantas vantagens fazem com que os pais fiquem divididos entre o clube e a academia na hora de matricular os filhos. "Hoje somos como clubes bem administrados. Por sermos uma empresa, conseguimos tomar decisões mais rápidas, comprar os melhores equipamentos e trazer as novidades em exercícios", relata a empresária Soraia Bueri, sócia da academia Rio Sport Center, na Barra.

Para inscrever a criança em uma academia de ginástica, contudo, é necessário tomar alguns cuidados. De acordo com o pediatra Renato Farme de Amoedo, os pais precisam fazer a escolha com rigor. É fundamental verificar, por exemplo, se os professores estão capacitados para o trabalho. Também é importante checar detalhes, como as condições de higiene de piscinas e vestiários. "Mas, antes de tudo, deve-se consultar o pediatra para que ele diga se a criança está apta para a atividade que quer praticar, ou para indicar o que é mais adequado", explica o médico."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

USP demite professor por plágio em pesquisa

A reitoria da USP decidiu demitir um professor de dedicação exclusiva, com mais de 15 anos de carreira, após entender que ele liderou pesquisa que plagiou trabalhos de outros pesquisadores. A informação é de reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição da Folha deste domingo.

A exoneração por plágio é a primeira na instituição em mais de 15 anos. O imbróglio envolveu também a ex-reitora Suely Vilela, coautora da pesquisa questionada. Ela não sofreu punição --a avaliação é que não teve relação com os trechos plagiados.

O docente Andreimar Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, foi demitido por ser o principal autor da pesquisa, que copiou imagens de trabalhos de 2003 e 2006, sem creditá-las aos autores, da UFRJ (Federal do Rio).

Outra pesquisadora teve o título de doutorado cassado. Era responsável pelas partes contestadas. Tanto o docente quanto a pesquisadora podem recorrer internamente e judicialmente das decisões.

Veja a notícia completa, publicada no site da Folha, em 20 de fevereiro de 2011.


domingo, 9 de janeiro de 2011

Homens, médicos e endividados são os mais perigosos no trânsito


É curiosa esta reportagem da Folha de São Paulo de hoje.

Em primeiro lugar no risco de acidentes estão os estudantes... os médicos estão em segundo lugar.

E mulher ao lado do homem (motorista) no carro é fator de proteção.

Hahaha. Eu acho que depende da mulher.

Mas são coisas da estatística...


Ciência do trânsito aponta perfil de quem bate o carro

Segundo análise estatística de milhões de acidentes, homens, médicos e endividados são os mais perigosos

Presença de mulher no banco de passageiros faz homens, como que por mágica, passarem a colidir menos o carro


RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Os americanos estão recrutando alguns dos seus melhores estatísticos para saber quem é o sujeito que bate o próprio carro.
Se você está devendo dinheiro e é médico, esses especialistas em ciência do trânsito já olharão feio.
Se, além disso, você for um homem que costuma andar sozinho em carros grandes e alugados, meu amigo, os estatístico pedem desculpa, mas precisam dizer: você não tem carteira de motorista, você tem porte de arma.
Esse perfil é resultado da análise de milhões de casos em bancos de dados sobre acidentes de carro -americanos amam tanto estatísticas quanto carros, então era mesmo de se esperar que tivessem muito material disponível sobre o assunto.

VAI DEVAGAR, AMOR!

O preço dos seguros não mente: homens realmente se envolvem em mais acidentes do que mulheres. "Homens parecem particularmente perturbados por dois poderosos compostos: álcool e testosterona", diz o escritor americano Tom Vanderbilt, autor do livro "Por que dirigimos assim?" (Ed. Campus), sobre a ciência do trânsito.

Homens são mais agressivos no trânsito, correm mais. Por isso, um homem tem mais do que o dobro de chance de morrer dirigindo do que uma mulher, ainda que elas se envolvam mais em colisões não fatais -pequenas barbeiragens, digamos.

Os estatísticos descobriram, porém, que um homem dirigindo sozinho tem uma chance maior de se acidentar do que com uma mulher no banco de passageiros.

Ninguém sabe direito o motivo. Uma hipótese é que ele seja mais cuidadoso porque quer protegê-la. A outra, talvez mais provável, é que a mulher incomoda tanto o sujeito com gritos de "cuidado!" que ele se rende -ou para o carro e manda ela descer, em um cenário mais raro.

Esse fenômeno é tão sério que o Exército israelense resolveu treinar soldados do sexo feminino para atuar, nas palavras deles, como "tranquilizadoras" dos soldados homens em deslocamento e evitar mortes -não se sabe se eles ficaram exatamente "tranquilizados", mas o número de mortes caiu.

No que se refere a profissões, médicos, sejam homens ou mulheres, estão no topo do ranking das ocupações que mais se envolvem em acidentes feito por uma seguradora da Califórnia.
Eles só perdem para estudantes -aí mais pela idade. Jovens têm menos experiência e são mais irresponsáveis.

A explicação é que médicos, além de terem uma profissão estressante, com frequência dirigem com certa urgência entre um hospital e outro, talvez ao celular.

Ninguém soube explicar a altíssima quantidade de arquitetos envolvidos em acidentes, em quarto lugar. Depois de muito refletir, os pesquisadores só conseguiram levantar uma hipótese: vai ver eles se distraem olhando prédios e acabam batendo.

Corretores de imóveis talvez batam muito por motivo similar -e eles estão o dia inteiro se deslocando pela cidade, uma hora acontece.

No outro extremo, fazendeiros (que dirigem bastante em lugares sem movimento) raramente batem o carro.

Independentemente da profissão, gente endividada se envolve mais em colisões. "Você não apostaria na possibilidade de motoristas arrojados serem pessoas avessas ao risco que anseiam por rotina e tranquilidade na sua vida normal, não? É um mantra antigo: um homem dirige como vive", diz Vanderbilt.

As pessoas também batem mais carros alugados -elas são, óbvio, mais cuidadosas se o patrimônio for seu. Carros maiores batem mais do que pequenos, pois a sensação de segurança inspira menos responsabilidade.

Números assim fizeram o economista da Universidade de Chicago Sam Peltzman tentar explicar por que avanços de segurança (notoriamente a adoção dos cintos) não se transformaram em menos mortes no trânsito: as pessoas passaram a dirigir mais perigosamente.

"O aumento na segurança nos carros foi "compensado" pelo aumento no índice de mortalidade de pedestres, ciclistas e motociclistas. Economistas têm uma velha piada: o instrumento mais eficaz de segurança nos carros seria um punhal instalado no volante e apontado para o motorista", diz Vanderbilt.

Médicos Reprovados - Bom para discussão


Tive acesso ao texto abaixo através de um email que recebi de um amigo.


O texto e as opiniões são do "Estadão", mas acho que ele provoca reflexões e abre espaço para discussões muito interessantes.

Imagino que qualquer professor de medicina ou de saúde do Brasil se preocupe com isto, em especial porque temos muitos brasileiros fazendo vestilbular em países vizinhos porque o acesso é mais fácil.

Por outro lado, já trabalhei com pós-graduandos, "residentes em regime especial para estrangeiros", na pediatria da UERJ que eram de ótima qualidade pessoal e técnica.

Compartilho, então, duas questões para discussão:

1o) Como será esta avaliação. Aprovação só de 2 em um grupo tão grande pode ser problema deles e/ou da forma de avaliação, não é?

2o) Se fizéssemos um grupo controle com médicos brasileiros, em especial com nossos recém-formados, como seria o nosso desempenho? Se fosse diferente, acho que estaríamos mais embasados quanto às supostas "evidências" levantadas.


MÉDICOS REPROVADOS

FONTE: O Estado de S.Paulo, em 3 de janeiro de 2011

Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior confirmaram os temores das associações médicas brasileiras. Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar. A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas.

As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais e confessionais do País. As faculdades cubanas - a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica. Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos. Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Entre 2007 e 2008, organizações indígenas enviaram para lá 36 jovens índios.

Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País. As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam, entre 2005 e 2009, só 25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional.

Por isso, o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma, sem precisar passar por exames de habilitação profissional - o que foi vetado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira. Para as duas entidades, as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina teriam currículos ultrapassados, estariam tecnologicamente defasadas e não contariam com professores qualificados.

Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa. No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se preocupando com a saúde das chamadas "classes populares".

Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota. No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma "solução" para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde. E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010. Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades.

Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias - pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de "promover ajustes". As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação. Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Feliz 2011!

Estava viajando, sem conexão, por isto estou atrasada com postagens.

Mas ainda há tempo para eu deixar a todos os meus votos de um 2011 maravilhoso.

E, para isto, escolhi este texto (no vídeo), de Carlos Drummond de Andrade.

Que seja um ano bom para todos nós.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Insistência de mãe salva bebê após três médicos dizerem que câncer era resfriado

Apesar de alguns cientistas afirmarem que o instinto materno não existe (a figura da mãe seria construída na convivência com o bebê), a britânica Adelle Wright acredita que foi por causa disso que ela descobriu que sua filha estava com câncer, mesmo depois de três especialistas afirmarem que o que a menina tinha era um resfriado.

Durante férias de família em setembro, na Espanha, Ruby, hoje com 16 meses, adoeceu e seus pais preocupados voltaram para casa. Na primeira ida ao médico, ele diagnosticou um resfriado. Como a menina não melhorava, os seus pais a levaram mais duas vezes ao hospital, os especialistas confirmaram a doença e receitaram gotas nasais, apesar da garota não comer e ter muitas dificuldades para respirar.

Mas a intuição de Adelle disse para ela não desistir. A mãe, então, levou a menina até um hospital em Manchester, Inglaterra. Nessa ocasião, os médicos afirmaram que a garota estava com rabdomiossarcoma, um câncer dos tecidos moles que afeta cerca de 60 crianças por ano no Reino Unido. Por conta disso, um tumor que ocupava cerca de 90% da traquéia de Ruby foi encontrado.

"Os médicos podem ter pensado que éramos pais insistentes, mas eu sabia que algo estava errado. De qualquer maneira, a descoberta foi um choque: em uma semana o diagnóstico passou de apenas um resfriado para um câncer", contou a mãe ao jornal Daily Mirror. Os próprios especialistas disseram que a insistência de Adelle pode ter salvado a vida de Ruby. Desde a descoberta da doença, a menina já operou três vezes e agora passa por quimioterapia.

FONTE: Crescer

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O médico, o paciente e a internet

A revista Veja publicou uma reportagem bem interessante sobre a relação entre médicos e pacientes na internet, em especial no Facebook. A conclusão é de que a maioria dos médicos não está preparado para isto, que não adicionaria pacientes em sua rede e que o Facebook pode atrapalhar a relação entre eles.

Sei que minha opinião pode parecer radical para alguns, mas eu acho isto tudo uma besteira.
As relações na rede, ao meu ver, devem ser imbuídas dos fundamentos básicos de qualquer relação humana e social: respeito e compromisso com o que se fala ou faz.

Nós médicos não podemos nos esquivar da evolução... E temos que cuidar das pessoas com a clareza de que a vida delas é tão importante quanto a nossa. E a condição comum de sermos PESSOAS talvez seja o que lhes fazem confiar em nossos CUIDADOS. O paciente não quer médico em pedestal (eu acho). Ele quer alguém que olhe no olho, que converse com ele, que saiba escutar e que o dê segurança e conforto.

Então, não esqueçamos que médico é uma pessoa como qualquer outra. O que ele acha que pode/deve fazer em público deve reger também seu comportamento na rede.

A informação está disponível para todos e o Dr Google é o primeiro "consultório" da maioria das pessoas. Qual é o problema do paciente perguntar muito, chegar com folhas impressas sobre suas doenças ou, até, fazer seus "diagnósticos"? Nenhum. Muitas vezes eles até acertam... :-)

Isto costuma incomodar principalmente o médico que se julga "dono do saber", que se relaciona com o paciente de maneira desigual, que vive em uma redoma e fala de um pedestal.

Vejo esta realidade, então, como um desafio que pode impulsionar os médicos a se manterem atualizados, buscando reconhecer e superar seus limites.

Além de se atualizar, o médico deverá saber "filtrar" o que o paciente buscou na internet, ajudá-lo a obter informações confiáveis e, invariavelmente, abordar o SOFRIMENTO do paciente com o seu problema de saúde e não apenas a sua DOENÇA.

Quem sabe isto não melhore a qualidade da medicina que, infelizmente, tem deixado muitas vezes a desejar...?

Gostei desta reportagem. Pode provocar um ótimo debate.

Sugiro que as pessoas levem isto para discutir com outras pessoas e, em especial, com estudantes e professores de medicina.

Temos que evoluir! Ou, pelo menos, temos que nos adequar a esta nova forma de relação médico-paciente.

E então? O que você acha?
Não precisa concordar comigo.
Acho que quanto mais debatemos, mais visões conhecemos e todos crescem...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

China trata (ou maltrata?) viciados em internet


Com 10 milhões de viciados em internet, China cria 400 centros para dependentes e usa até eletrochoques

PEQUIM - No início de 2010, 14 jovens chineses, de 15 a 22 anos, revoltaram-se contra a administração da clínica de reabilitação onde tinham sido internados, na província de Gansu, para tratar de seu vício em jogos eletrônicos. Para mostrar sua insatisfação, eles simplesmente amarraram o diretor num poste e fugiram correndo. Mas, por falta de dinheiro, não foram muito longe. A polícia os deteve. De volta ao centro de reabilitação, eles explicaram que a razão da fuga tinha sido o tratamento brutal, a disciplina militar e a violência física a que eram submetidos para livrarem-se do vício. Em 2009, outro incidente semelhante num centro de tratamento do Sul da China terminou em tragédia: um jovem interno apanhou até morrer. Dois instrutores foram condenados a dez anos de prisão por homicídio.

Casos assim tendem a se disseminar pelo país. De acordo com o jornal "China Daily", já existem na China cerca de 400 centros de reabilitação onde o vício em internet é tratado com a ajuda de métodos brutais como punições corporais e eletrochoques. Isto porque a chamada "dependência digital" transformou-se num dos principais problemas de saúde pública do país.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Internet da Juventude Chinesa, sofrem de dependência virtual dez milhões dos 195 milhões de jovens (ou seja, com menos de 25 anos de idade). O dado explica a multiplicação dos centros de desintoxicação.

Cresce o número de 'mobinautas'

A China é o hoje o maior consumidor mundial de novas tecnologias, principalmente no setor de telefonia celular e de internet. As empresas do setor estão de olho no país. Fabricante dos dispositivos eletrônicos mais desejados em todo o mundo, a Apple calcula que o número de usuários de celular chineses esteja, atualmente, em 800 milhões. E esse total vai ultrapassar o bilhão em 2020. Ou até antes.

Por sua vez, o China Internet Network Information Center (CNIIC) assegura que existem 450 milhões de internautas no país. Desse total, 50% têm menos de 25 anos, 46% são mulheres e cerca de 30% fazem parte da categoria dos $, um neologismo inventado pelo CNIIC para denominar aqueles que acessam a internet através do celular. Esta última categoria é a que mais cresce: 50% entre 2009 e 2010.

Uma das explicações para o sucesso da internet no país é o próprio custo do acesso à rede: na China, sai bem mais barato navegar na rede via celular do que através dos computadores.

Outro dado interessante é que os jovens chineses têm preferência pelos sites de música (84,5%), de notícias (81,5%) e correio eletrônico (77,2%). A garotada da chamada Geração Y (com menos de 20 anos de idade) passa muitas horas diante da tela tanto para a comunicação pessoal quanto profissional. No trabalho, a média é de 34 horas por semana, contra 11 horas nos países ocidentais. Em casa, para uso pessoal, os jovens chineses dedicam em média 14,8 horas por semana aos jogos eletrônicos - contra 3,4 horas no resto do mundo; 5,1 horas para compras na internet (contra uma hora nos outros países) e três horas para ver os vídeos musicais.

Estes dados podem parecer exagerados - mas, num país de grande população como a China, eles são facilmente explicáveis. A loucura virtual que tomou conta dos consumidores é consequência do $de que as multinacionais investiram US$ 765 bilhões neste mercado nos últimos 30 anos. Todo esse dinheiro circulando pelo país provocou rapidamente o crescimento de um setor que a China praticamente desconhecia. O resultado foi o surgimento, em pouco tempo, de uma verdadeira fúria consumista: todos querem ter o modelo de aparelho mais recente. E muitos trabalhadores são capazes de pagar até 30% do salário mensal para adquiri-lo.

Tecnologia mudou o hábito da escrita

Nas fábricas do Sul do país, principalmente na região de Shenzhen, onde a mão de obra barata atraiu rapidamente os investimentos estrangeiros, a oferta de televisores, computadores, DVDs e smartphones explodiu, conquistando tanto mercado externo quanto interno. Atualmente, não há marca internacional de prestígio que não esteja na região: Microsoft, IBM, Siemens, Apple, Nortel, Hitachi e Sony, entre tantas outras. Em 2000, das fábricas chinesas saíam 10% da produção mundial de eletrônica. Em 2010, já são 26% - e se prevê que esse índice chegará ao patamar de 30% em 2020.

De acordo com o instituto Decision, especialista em estudos de mercado para a indústria eletrônica, em 2011 a China vai fabricar 70% dos DVDs, 46% dos computadores, 42% dos celulares e 39% dos televisores à venda no mercado mundial.

Mas não é certo que no futuro estes produtos só se destinem à exportação. A China está mudando seu modelo de crescimento econômico voltado para o comércio exterior. A conquista do mercado interno foi uma das soluções apontadas pelo governo para contornar a crise financeira de 2008/2009. Para incentivar o consumo das novas tecnologias, as autoridades chinesas elaboraram uma estratégia comum com as principais multinacionais do país como Lenovo, Haier, Great Wall ou com a Acer de Taiwan. Cantores, estrelas de cinema, humoristas ou esportistas de renome foram escolhidos para louvar os méritos de celulares ou computadores em outdoors ou em programas de televisão.

Paralelamente, o governo concedeu subsídios a escolas, universidades e empresas que desejassem adquirir equipamentos modernos. Campanhas para aumentar o acesso à internet nas áreas rurais também foram lançadas, de modo que o consumo interno atingiu níveis exponenciais.

Para isto contribuíram vários fatores: primeiro, a fascinação dos jovens chineses pelos produtos do Ocidente que sejam símbolo de status ou de modernidade. Segundo, o princípio básico do relacionamento social, que é "não perder a face", ou seja, não se sentir humilhado por estar em situação de inferioridade. No caso, ao ver um amigo ou colega adquirir o mais recente modelo de smartphone, o jovem chinês sente-se obrigado a comprar um igual - caso contrário, perde a face.

A terceira explicação também é cultural: a mídia eletrônica modificou fundamentalmente a escrita dos chineses. O teclado dos celulares ou dos computadores não poderia conter os 40 mil ideogramas do mandarim, por exemplo. Graças à transposição fonética dos ideogramas ancestrais em letras do alfabeto, os jovens apressados não precisam mais perder tempo traçando signos de sete até 20 traços. Assim, digitando nos celulares ou no teclado dos computadores, a garotada inventou uma linguagem nova, desvinculada do chinês tradicional, e criou espaços de liberdade que permitem desafiar todos os poderes. Isto explica tantas cabeças baixas e olhos fixos nas telinhas que são vistas nos transportes coletivos, nas ruas, nos prédios públicos - em suma, no cotidiano da China, o novo palco do show digital.

FONTE: O Globo, 13 de dezembro de 2010