quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O médico, o paciente e a internet

A revista Veja publicou uma reportagem bem interessante sobre a relação entre médicos e pacientes na internet, em especial no Facebook. A conclusão é de que a maioria dos médicos não está preparado para isto, que não adicionaria pacientes em sua rede e que o Facebook pode atrapalhar a relação entre eles.

Sei que minha opinião pode parecer radical para alguns, mas eu acho isto tudo uma besteira.
As relações na rede, ao meu ver, devem ser imbuídas dos fundamentos básicos de qualquer relação humana e social: respeito e compromisso com o que se fala ou faz.

Nós médicos não podemos nos esquivar da evolução... E temos que cuidar das pessoas com a clareza de que a vida delas é tão importante quanto a nossa. E a condição comum de sermos PESSOAS talvez seja o que lhes fazem confiar em nossos CUIDADOS. O paciente não quer médico em pedestal (eu acho). Ele quer alguém que olhe no olho, que converse com ele, que saiba escutar e que o dê segurança e conforto.

Então, não esqueçamos que médico é uma pessoa como qualquer outra. O que ele acha que pode/deve fazer em público deve reger também seu comportamento na rede.

A informação está disponível para todos e o Dr Google é o primeiro "consultório" da maioria das pessoas. Qual é o problema do paciente perguntar muito, chegar com folhas impressas sobre suas doenças ou, até, fazer seus "diagnósticos"? Nenhum. Muitas vezes eles até acertam... :-)

Isto costuma incomodar principalmente o médico que se julga "dono do saber", que se relaciona com o paciente de maneira desigual, que vive em uma redoma e fala de um pedestal.

Vejo esta realidade, então, como um desafio que pode impulsionar os médicos a se manterem atualizados, buscando reconhecer e superar seus limites.

Além de se atualizar, o médico deverá saber "filtrar" o que o paciente buscou na internet, ajudá-lo a obter informações confiáveis e, invariavelmente, abordar o SOFRIMENTO do paciente com o seu problema de saúde e não apenas a sua DOENÇA.

Quem sabe isto não melhore a qualidade da medicina que, infelizmente, tem deixado muitas vezes a desejar...?

Gostei desta reportagem. Pode provocar um ótimo debate.

Sugiro que as pessoas levem isto para discutir com outras pessoas e, em especial, com estudantes e professores de medicina.

Temos que evoluir! Ou, pelo menos, temos que nos adequar a esta nova forma de relação médico-paciente.

E então? O que você acha?
Não precisa concordar comigo.
Acho que quanto mais debatemos, mais visões conhecemos e todos crescem...

3 comentários:

inacio disse...

bom post,alias muito em evidencia ultimamente..
li algo muito parecido no jornal periodico do CRM-MG que falava do dr.google e sempre essas abordagens deixam claro que há bons medicos e bons pacientes ...e aquele que mais pergunta é sempre mais satisfeitos que os demais...uma questão a ser abordada nas faculdades hje pois enfatizam conhecimento multiplos superficiais mais as vezes,não sabemos explicar algo sobre dieta,exercicios,amamentação,estetica,gravidez,efeitos colaterais...

por isso salve o PBL e o conhecimento horizontalizado!!(palavas de um acadÊmico)

Marcia Taborda disse...

Vejo que o grande problema entre o médico, o paciente e a internet está na relação pessoal que extrapola o espaço do consultório e que mostra que o médico é uma pessoa normal - gente como a gente! Não deve ser muito fácil para os médicos que se acham super-heróis, mas para vc que é um doce de pessoa, além de uma super-profissional não há o menor problema.

Marcia Taborda
www.escolavirtualparapais.com.br

Ministério da saúde disse...

Evitar a proliferação da dengue depende de cada um de nós. Além de cuidar da sua casa, falar com seus vizinhos, manter contato com sua prefeitura sobre focos da doença, você pode utilizar esse espaço para conscientização.

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