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domingo, 11 de abril de 2010

Após supervisão de cursos de medicina, MEC pode cortar 370 vagas

Depois da supervisão de 20 cursos de medicina que obtiveram baixo desempenho no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), o MEC (Ministério da Educação) cancelou uma graduação e poderá cortar 370 vagas em oito cursos. Em nota, o ministério afirma que a medida foi tomada após a verificação do não cumprimento das medidas de saneamento que haviam sido determinadas às instituições.

O curso de medicina da Unig (Universidade Iguaçu) oferecido no campus de Nova Iguaçu (RJ) deverá ser suspenso; essa graduação oferecia 200 vagas anuais. Segundo a pasta, após o prazo de dois semestres letivos para cumprimento das medidas exigidas, a universidade não promoveu as melhorias necessárias. A Sesu (Secretaria de Ensino Superior) do MEC também determinou medida cautelar para que a Unig suspenda, imediatamente, o ingresso de novos alunos no curso.

Dos cursos que terão diminuição do número de vagas, seis -- da Unifoa (Centro Universitário Volta Redonda) (RJ), da Faciplac (Faculdade de Medicina do Planalto Central) (DF), da Unig de Itaperuna (RJ), da Unimar (Universidade de Marília) (SP), da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto) (SP) e da USS (Universidade Severino Sombra), em Vassouras (RJ)-- demostraram cumprimento parcial das exigências do governo e dois -- da Fimca (Faculdades Integradas Aparício Carvalho) (RO) e da Faculdade São Lucas (RO)--tiveram redução por terem apresentado precariedade na oferta de estágios.

As instituições têm 15 dias para apresentar defesa. Após esse período, o MEC avaliará as respostas e decidirá se os cursos serão ou não cancelados. Caso sejam, é possível apresentar recurso ao CNE (Conselho Nacional de Educação).

A supervisão, iniciada em 2008, foi feita por uma comissão de especialistas coordenada pelo médico Adib Jatene. Ao todo, 20 instituições deveriam ser avaliadas. De acordo com a nota do ministério, os cursos da Universidade Luterana do Brasil (RS), do Centro de Ensino Superior de Valença (RJ), da Universidade Nove de Julho (SP), da Universidade Metropolitana de Santos (SP) e do Centro Universitário Lusíadas (SP), também em supervisão, continuam com medidas cautelares e receberão visitas de reavaliação nos próximos meses.

Para ler a reportagem completa clique aqui.

FONTE: Redação UOL, 07 de abril de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Saiba qual é a diferença entre faculdade, centro universitário e universidade

Por: Simone Harnik, em São Paulo, UOL 09/03/2010

Você até pode ouvir um monte de siglas para os nomes das instituições de ensino superior, mas a verdade é que só existem três tipos delas no Brasil: as universidades, os centros universitários e as faculdades.

E qual a diferença na prática?

Segundo Ivelise Fortim, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e coautora do livro "Orientação Profissional Passo a Passo", basicamente, é uma só: "Quando você está dentro da universidade, tem maior chance de participar de pesquisas e de fazer iniciação científica [projeto de estudos durante a graduação]".

Tudo depende, de acordo com Ivelise, do interesse do estudante: "Se ele tem a intenção de voltar sua formação somente para a entrada no mercado de trabalho, tanto faz o tipo de instituição que escolher", aponta.

É claro que esta é uma generalização, já que há faculdades que fazem pesquisa séria, têm trabalhos com a comunidade e boa qualidade de ensino. Ao mesmo tempo, também existem universidades que deixam a desejar nas condições de ensino.

Por isso, na hora de escolher, é preciso ficar atento se a instituição de ensino cumpre o que é exigido pelo MEC (Ministério da Educação) e pela lei brasileira.

Universidade

As universidades devem oferecer, obrigatoriamente, atividades de ensino, de pesquisa e de extensão (serviços ou atendimentos à comunidade) em várias áreas do saber. Elas têm autonomia e podem criar cursos sem pedir permissão ao MEC.

As federais são criadas somente por lei, com aprovação do Congresso Nacional. As particulares podem surgir a partir de outras instituições como centros universitários.

Os requisitos mínimos são os seguintes:

  • Um terço do corpo docente, pelo menos, deve ter título de mestrado ou doutorado. Quanto maior a titulação dos professores, mais tempo de pesquisa e mais experiência para transmitirem aos estudantes.

  • Um terço do professorado deve ter contrato em regime de tempo integral - esses são os profissionais que costumam oferecer maior dedicação à instituição. Quando um docente é contratado para poucas aulas, normalmente, tem menos tempo para atender os universitários e para desenvolver projetos de pesquisa e extensão.

  • Desenvolver, pelo menos, quatro programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) com boa qualidade - um deles deve ser de doutorado.


Centro universitário

Os centros universitários, assim como as universidades, têm graduações em vários campos do saber e autonomia para criar cursos no ensino superior.Em geral, são menores do que as universidades e têm menor exigência de programas de pós-graduação.

No entanto, há algumas regras que eles precisam cumprir:

  • Ter, no mínimo, um terço do corpo docente com mestrado ou doutorado.

  • Ter, pelo menos, um quinto dos professores contratados em regime de tempo integral (observe que o percentual é menor do que o exigido nas universidades).

Faculdade

As faculdades são instituições de ensino superior que atuam em um número pequeno de áreas do saber. Muitas vezes, são especializadas e oferecem apenas cursos na área de saúde ou de economia e administração, por exemplo.

Outra diferença para os centros universitários e universidades é a seguinte: quando uma faculdade pretende lançar um curso, ela tem de pedir autorização do Ministério da Educação - ou seja, não tem autonomia para criar programas de ensino. Contudo, as faculdades devem cumprir uma exigência:

  • O corpo docente tem de ter, no mínimo, pós-graduação lato sensu - normalmente menores do que os mestrados e doutorados.

FONTE: UOL, 09/03/2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

UFMG inaugurou hoje polo da UAB

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou hoje as instalações do Polo de Apoio Presencial à Educação Superior da Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Em Minas Gerais, a Universidade promove atividades em polos existentes em 18 cidades. Conforme consta no site do Centro de Apoio à Educação a Distância (Caed) da UFMG, atualmente a instituição oferece, em Governador Valadares, o curso Normal Superior, o de aperfeiçoamento Gênero e Diversidade na Escola; além dos de licenciatura em Química, Matemática e Ciências Biológicas, e de especialização em Ensino de Artes Visuais, Atenção Básica em Saúde da Família e Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem (Profae).

A Universidade Aberta do Brasil funciona com o apoio de pontos estrategicamente localizados, chamados Pólos de Apoio Presencial. São espaços físicos mantidos por municípios ou governos de estado que oferecem infraestrutura física, tecnológica e pedagógica para que os alunos possam acompanhar os cursos UAB. Instituições de ensino superior de todo o país, credenciados pelo MEC e que já oferecem cursos presenciais, são responsáveis pela promoção dos cursos a distância. (...)

FONTE: Planeta Universi, 10 de fevereiro de 2010 Acesse se quiser mais informações.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Reflexões de uma professora em início de semestre

A cada início de semestre reflito em relação às novas relações.

A maioria de nós, docentes, a esta altura, está montando cursos, pensando em como estimular o interesse dos estudantes, incentivar a busca ativa e a construção colaborativa de conhecimento.

Sempre digo que não ensinamos conteúdo nenhum... O aluno aprende principalmente quando quer, quando se apaixona, mas também quando precisa daquele conhecimento (por exemplo, em ano de concurso, como a seleção para a residência médica). No entanto, este aprendizado pode ser favorecido quando estabelecemos uma boa relação uns com os outros.

Então, nosso maior desafio é seduzir os alunos. Fazer com que tudo aquilo "ensinado" faça sentido pra ele, tenha importância e, principalmente, que ele goste.

Também falo muito que não há muitas maneiras apenas de "preparar Neston", mas também de fazer medicina. Ao contrário do que muitos pensam e do que muitos falam, acho que o curso de medicina não precisa ser sofrido. Pode ser uma descoberta e uma paixão que cresce a cada dia...

Isto que eu gostaria de promover no grupo de futuros médicos, ou de jovens médicos, com quem tenho o prazer de conviver. Pensemos sempre que somos transitoriamente professores e alunos (outra fala que sempre repito). Estamos participando de um processo de educação de adultos, que com respeito e seriedade, podem compor, no futuro, uma equipe de bons profissinais, com quem poderemos trabalhar... Médicos que podem cuidar de um familiar nosso. E será um orgulho dizer um dia ¨foi meu aluno¨. Como o orgulho de mãe quando vê o sucesso do filho.

A Nova Escola, revista voltada para o ensino fundamental e médio, tem uma reportagem recente e seu site de como a postura do professor influencia a turma. E comenta-se sobre algumas atitudes abomináveis. Interessante matéria, que vale também para quem lida com ensino superior.

A todos desejo um bom ano letivo, com a criação de lindos espaços de convivência.

E acabei de lembrar de um livro que adorei quando li. Prá variar, é de Rubem Alves: "Por uma educação romântica". Recomendo!

São palavras de início de semestre, de uma professora eternamente apaixonada pelo que faz. Bom retorno às aulas para todos!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mérito acadêmico - Como valorizar as atividades de ensino na carreira universitária?

Este foi outro tema muito interessante do 47o COBEM.
Todos devem conhecer professores sem mestrado ou doutorado que ensinam e fazem diversos trabalhos de extrema relevância... e vice-versa, não é?
Por que, então, o mérito acadêmico se baseia apenas em titulação e em publicações?
Será que estes critérios garantem, por exemplo, que um professor de medicina seja bom e apto a preparar o profissional que almejamos?
Que educadores queremos/precisamos?
Em breve, a ABEM terá propostas concretas para inclusão de novos critérios para avaliar professores de maneira mais ampla e levando em consideração uma série de habilidades, competências e resultados de sua vida acadêmica.

É a ABEM fazendo o seu valioso trabalho!
Materiais desta e de outras atividades podem ser consultados no site do 47o COBEM.
Passe por lá se quiser saber mais.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MEC dá nota máxima a apenas 1% das universidades brasileiras

Entre as 2.000 instituições de ensino superior avaliadas em 2008 pelo Ministério da Educação (MEC), somente 21, ou 1%, conquistaram nota máxima no Índice Geral de Cursos da Instituição (IGC) - que atribui notas às faculdades e universidades, com base na qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação, e as classifica em faixas de 1 a 5.

Do total das instituições avaliadas, 884 (44%) obtiveram IGC 3, considerado razoável. Dezoito ficaram com IGC 1 e 570 com IGC 2, interpretados como ruins - os dois índices mais baixos somam quase 30%. Mais de 300 instituições ficaram sem conceito, porque não tiveram participação mínima dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

Das 21 que obtiveram IGC 5, 11 são públicas e dez particulares. A Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), particular do Rio de Janeiro, teve a nota mais alta. O Instituto Tecnológico da Aeronáutica, federal, ficou em segundo lugar, seguido pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), estadual. Na última colocação do ranking, com IGC 1, ficou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Maceió (FAMA), privada.

Visitas às piores colocadas - Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, após a avaliação do IGC as comissões fazem visitas às instituições com índice mais baixo (1 e 2) e, se a análise in loco confirmar condições inadequadas de ensino, elas podem sofrer punições. "Dependendo da gravidade da situação, ela pode ter o número de vagas reduzido nos cursos deficientes, a suspensão temporária ou definitiva do processo seletivo e, em último caso, o descredenciamento da instituição", explicou.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernando, enfatizou que a função dessa avaliação é "orientar o público sobre a qualidade do ensino oferecido em cada instituição".

FONTE: Veja.com, 31 de agosto de 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

USP entre as melhores universidades do mundo


Fico feliz com a notícia na seção Tendências/Debates da Folha de São Paulo de hoje (30/08) de que a USP está entre as melhores universidades do Mundo.

Nunca estudei nem trabalhei lá, mas o prestígio desta grande Universidade é reconhecido por todo o Brasil.

Em suas linhas, Suely Vilela, reitora da USP, escreve:

"Universidades plenas, em que atividade de ensino, pesquisa e extensão são indissociáveis e às quais se soma significativa inserção internacional, representam meio sólido de enfrentar os desafios da nova sociedade."

Tomara que possamos aprender com ela e alavancar as outras universidades do nosso país, que têm muito a mostrar para o mundo.

Nem só de notícias ruins nossos dias são preenchidos...

Segue outro trecho do texto escrito por Suely Vilela:

"(...)No Webometrics, Ranking Web of World Universities, a USP subiu 49 posições ao ocupar, em julho deste ano, o 38o lugar. Esse ranking classifica 6000 instituições no plano mundial e tem como base, além da visibilidade, o desempenho global, incluindo indicadores de pesquisa e de qualidade de estudantes e docentes.

Ranking entre os mais aceitos no cenário mundial é o Higher Education Evaluation and Acreditation Council of Taiwan, que avalia por meio da pesquisa, tendo como critério produtividade, impacto e excelência na investigação científica.

Por esta classificação, a USP ocupa o 78o lugar, correspondente à subida de 22 posições em relação a 2008.(...)"

Parabéns à USP! Ponto para o Brasil!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Trote com violência... Quando isto vai acabar?

Entrar para a universidade é uma vitória.
Um momento inesquecível.

Lembro com carinho dos meus primeiros dias na Medicina da UERJ, em que participávamos de uma gincana de "trote".

Nela, inúmeras brincadeiras saudáveis eram feitas, sem coagir os calouros a participarem... Escolhiamos voluntários de nossas equipes para brincadeiras "tradicionais" em trotes como desfile de "miss fêmur", entre outras.

Não me lembro de nenhum ato de violência.

E guardei na memória a festa no fim da semana de acolhimento, em que adesivos colados em nós como "Popey", "Olívia", "O" e "B"... nos desafiaram à última tarefa. Tinhamos que achar nosso par, nos apresentar e apresentá-lo para a comissão do "trote". Conheci muitos dos meus veteranos, fiz muitos amigos... e a gincana acabou empatada. O objetivo da comissão era apenas nos dar "boas vindas à universidade" e deixar a mensagem de que " não era bom começarmos a convivência concorendo uns com os outros".

Nossos pais, certamente, curtiam quando contávamos nossas histórias ao chegar em casa. Aos 18-19 anos, tínhamos passado pelo primeiro crivo do nosso caminho profissional... E que crivo!

Mas como será que estão estes calouros e seus pais?:



Isto é lamentável...


Se você é estudante, fique ligado: comemore esta vitória com seus calouros, mas pense que muitos sonham com estes sorrisos anos mais tarde, na formatura!

Vamos dizer NÃO À VIOLÊNCIA NO TROTE.

sábado, 22 de agosto de 2009

A universidade vista como cérebro


Cientista brasileiro que desenvolveu a interface cérebro-máquina, Miguel Nicolelis defende a reestruturação do ensino superior para atrair os jovens

Estruturar os diversos departamentos de uma universidade do mesmo modo que o funcionamento do cérebro humano. Esse é o pensamento do neurocientista Miguel Nicolelis, apontado pela revista americana Science como um dos dez mais importantes cientistas do mundo.

Em recente debate na cidade de São Paulo, Nicolelis expôs seu conceito ao dizer como está montado o Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, criado por ele em um dos lugares mais pobres do Brasil e chamado de A Cidade do Cérebro, onde tudo está interligado, junto, sem barreiras, sem divisões.

"As universidades não podem mais ter departamentos que não falam entre si. O cérebro não funciona assim. Então, vale a pena criar estruturas que se assemelham ao funcionamento do cérebro", explicou. (...)

"A elite americana valoriza mais uma educação universitária de alto nível como legado para os seus filhos. Já a academia brasileira não é aberta à sociedade. Quando isso acontecer, o Brasil mudará". Mudança, aliás, é algo que o neurocientista acredita ser necessário para a evolução do ensino superior brasileiro, particularmente da ciência.

"A universidade tem de se reestruturar para atrair os jovens, temos de criar mecanismos para acelerar a formação de cientistas. Nossas instituições não acompanham a velocidade das mudanças." Para ele, os jovens cientistas precisam ter mais apoio, inclusive para ganhar experiência no exterior ao participar de redes científicas internacionais e com isso obter uma melhor visão de mundo. " (...)

Reportagem de Luciano Velleda.

Conferência Mundial de Ensino Superior da Unesco conclama países a intensificar troca de saberes

O mundo precisa estar mais bem preparado para, se não prevenir, ao menos saber escolher com mais rapidez e eficácia as saídas para enfrentar uma crise econômica da amplitude da que surpreendeu o planeta a partir de setembro do ano passado. O homem necessita aperfeiçoar o uso dos recursos naturais e buscar reverter os efeitos das mudanças climáticas. A profissionalização é ferramenta essencial para que os países pobres promovam o desenvolvimento sustentável. As constatações levaram a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a elevar o ensino superior a uma de suas prioridades em educação, depois de quatro dias de intensos debates durante a Conferência Mundial de Ensino Superior 2009, realizada na sede da organização, em Paris.

Passados 11 anos do último encontro global para discutir os rumos da educação superior, alguns novos desafios ingressaram na pauta, como a globalização, irreversível, e a entrada definitiva da tecnologia na aprendizagem. Mas as questões centrais permanecem as mesmas: a democratização do acesso, o papel do Estado, o aprimoramento da qualidade e a responsabilidade social foram, invariavelmente, os principais pontos de preocupação dos mais de mil participantes da Conferência Mundial de Ensino. "Nesta reunião, cada um pôde trazer e debater os seus problemas locais. Chegamos à conclusão de que, na raiz, as dificuldades são basicamente as mesmas para todos, embora em degraus diferentes de complexidade", atestou a relatora-geral do documento final, Suzy Halimi .

Leia reportagem completa no site da Revista Ensino Superior
Reportagem de Lúcia Jardim, de Paris

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Conferência Mundial de Educação Superior

Inicia em Paris Conferência Mundial de Educação Superior

Teve início no domingo (5), em Paris, a Conferência Mundial de Educação Superior, iniciativa da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O encontro abre o debate e a troca de informações sobre o cenário global da educação superior e da área de pesquisa acadêmica em busca de acordos para garantir a produção de conhecimentos e, consequentemente, um futuro sustentável e orientado para o desenvolvimento.

Amanhã (8), o ministro da Educação, Fernando Haddad, fará a palestra Além da Conversa: quais Ações Precisam Ser Tomadas para a Educação Superior e a Pesquisa Acadêmica”.

Realizada pela primeira vez em 1998, a conferência porá em discussão temas como a equidade de acesso à educação superior para todos os cidadãos, a modernização de sistemas e instituições e a promoção da relevância social e da ligação com o mundo do trabalho. A edição deste ano tenta reafirmar a importância da educação superior e da pesquisa acadêmica tanto para enfrentar os desafios globais da atualidade quanto para construir uma sociedade justa, inclusiva e sustentável.

Dois temas principais guiarão os debates em sessões plenárias: o papel da educação superior na solução dos grandes desafios globais — desenvolvimento sustentável, educação para todos e erradicação da pobreza — e o compromisso e a responsabilidade social com a educação superior.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tecnologia da Informação a serviço da educação superior no Brasil

Novos horizontes se abrem para o atendimento da demanda existente em cursos de graduação no país através do uso da tecnologia: “Educação a Distância” (EAD), que é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias, com estudantes e professores desenvolvendo atividades em lugares ou tempos diversos.

Há vários cursos de pós-graduação (lato sensu) oferecidos na modalidade de EAD e uma centena de instituições credenciadas para ministrar cursos de graduação a distância. De acordo com o censo do INEP de 2005, há 189 cursos de graduação utilizando EAD com 114.642 matrículas, representando 2,5% do total de matrículas nos cursos de graduação no país. Pela legislação, as avaliações, o uso de laboratórios, estágios e defesas de trabalhos de conclusão de cursos devem ser presenciais. Há também, muitos cursos de graduação semi-presenciais, através dos quais os alunos têm 20% da carga horária desenvolvida através de EAD.

As vantagens da EAD são inúmeras, tanto que muitas empresas utilizam esta modalidade (e-learning) para realizar treinamento de seus funcionários, permitindo agilidade no processo de capacitação profissional e redução de custos, pois não há necessidade de locomoção de instrutores e treinandos. Os funcionários podem realizar seus cursos, de acordo com sua velocidade de aprendizagem ou em função de sua disponibilidade.

Ainda há obstáculos a serem superados na EAD, a começar pelas políticas públicas que devem impedir a expansão quantitativa e descontrolada de cursos, eliminando qualquer possibilidade de transformação desta modalidade de ensino em business, impedindo que organizações com pouco ou nenhum compromisso com a qualidade da educação no país atuem neste segmento.

A EAD traz para o aluno inúmeras vantagens em seu dia-a-dia. Os custos e as dificuldades de transportes e o tempo despendido na locomoção até a instituição de ensino são praticamente eliminados. Para os estudantes do período noturno, em geral estudantes-trabalhadores, há também a redução nos riscos associados à segurança pessoal.

Há uma outra dimensão para ser analisada: a sala de aula, pois é o espaço para a interação entre professor-aluno, aluno-aluno, discussões de novas situações propostas e troca de experiências. A vivência em outras áreas físicas da instituição, como: bibliotecas, espaços de convivência, laboratórios e outros, não pode ser negligenciada. Os conteúdos e o sistema de avaliação são outros elementos fundamentais. Os materiais de aula, exercícios, testes e de estímulo à realização de pesquisas devem ser criteriosamente desenvolvidos por professores especializados e com sólida experiência na prática pedagógica, com o apoio de profissionais da área de tecnologia da informação. Estes materiais podem ser contextualizados de acordo com aspectos locais, além de facilitar a integração entre as diversas disciplinas do curso.

O sistema de avaliação deve ser contínuo e intensamente discutido com professores e elaboradores de políticas públicas. Infelizmente, quando se fala em avaliação, pensa-se quase que exclusivamente na realização de provas e exames com o intuito de se realizar a medição do aprendizado do estudante, a fim de promovê-lo ou não para o nível seguinte. A avaliação deve também servir para os professores como feedback de aprendizado, permitindo identificar as principais dificuldades dos alunos, subsidiando melhorias nos aspectos didáticos do professor e na estratégia de desenvolvimento de conteúdos.

As ferramentas tecnológicas que surgem a cada dia têm muito a contribuir com a educação superior no país, com a qualidade de materiais e ferramentas para cursos de EAD (chats, jogos, simuladores, comunicadores instantâneos, e-mail, bibliotecas virtuais), porém, sempre deverá existir uma porção presencial nos cursos, pois é só através da interação e do convívio social é que se tem a efetiva troca de informações, experiências, vivências e sentimentos, e, de estímulo à pesquisa e à evolução do conhecimento humano. De acordo a Unesco (Relatório Delors), os quatro pilares da educação são: fazer com que o aluno aprenda a conhecer, aprenda a fazer, aprenda a conviver e aprenda a ser. Uma questão que se lança para a reflexão é se a EAD consegue endereçar estes quatro itens de forma ampla e realista.

Armando Terribili Filho, PMP. Doutor em educação pela UNESP e mestre em Administração de Empresas pela FECAP. Diretor de projetos da Unisys Brasil em São Paulo, professor da Faculdade de Administração e da pós-graduação da FAAP em cursos de Gestão de Projetos. Atua também na pós-graduação da UNINOVE em curso de formação de professores para o ensino superior. Detém a certificação PMP do PMI (Project Management Institute).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Veja cinco dicas para planejar, executar e concluir sua monografia ou seu TCC
Ana Okada, em São Paulo

O TCC (Trabalho de conclusão de curso), conhecido também como TGI (Trabalho de graduação interdisciplinar) ou TFG (Trabalho Final de Graduação), deixa muitos universitários de cabelos em pé. Ele coincide com o final da graduação e com o início da vida profissional. Em muitos casos, esse trabalho pode funcionar ainda como um cartão de visitas para futuras oportunidades.
Como se organizar para fazê-lo sem sofrimento? Veja cinco dicas da especialista Rachel Polito, que escreveu "Superdicas para um Trabalho de Conclusão de Curso Nota 10", da Editora Saraiva.
Confira:

1 - Escolha pessoas que trabalhem bem em grupo
"A escolha do grupo é tão importante quanto a escolha do tema", diz a especialista. O estudante, ao escolher o grupo, deve esquecer a amizade e priorizar as pessoas que trabalhem melhor em grupo: "Não escolha seus melhores amigos. O trabalho é longo e as desavenças acontecem se você não estiver preparado", adverte.
Para Adriano Plesskott, que se formou recentemente, ter uma boa equipe fez a diferença: "Fiz o TCC com uma colega com quem sempre fiz as atividades da faculdade. Foi muito bom, porque já sabíamos como cada um trabalhava".

2 - Tenha sempre em mente como será o "produto final"
Mais importante do que ter uma idéia do começo do trabalho, é saber ver como será seu final. "Costumo dizer que uma boa forma de iniciar o projeto é redigir uma conclusão. É evidente que ela será muito diferente da final, mas o estudante terá uma idéia de onde pretende chegar", diz Rachel. Essa visão evita o problema que muitos alunos têm de não conseguirem terminar o trabalho, pois não tinham em mente os objetivos que deveriam cumprir.

3 - Faça um trabalho de conclusão de curso com um tema que você goste
"O tema deve sempre ser relevante à área de estudo, no entanto, a troca de tema e a demora na conclusão do TCC ocorrem pela dificuldade de aliar o que se gosta ao que precisa ser feito", analisa Rachel. Para evitar problemas ao longo do trabalho, um conselho da especialista é adaptar assuntos ligados a temas de seu interesse com a sua área de estudo: "O caminho será mais tranquilo se você fizer algo que goste".O trabalho da estudante de jornalismo Juliana Omena obteve nota máxima e parte do sucesso se deveu à escolha do assunto: "Desde o início da faculdade tinha mais proximidade com matérias voltadas ao jornalismo social. Começamos a buscar em diversos sites, até que um dia achamos o tema no Orkut. Acredito que tudo apareceu certo e na hora certa", diz Juliana.

4 - O TCC exige planejamento estratégico; saiba organizá-lo
Rachel diz que é importante não perder de vista a natureza do TCC. Para ela, o trabalho é "na verdade, um planejamento estratégico completo, independente da área de formação do aluno". Ele deve ser divido nas seguintes etapas:
Definição dos objetivos: para a especialista, uma boa execução do desenvolvimento do texto depende desse estágio.
Justificativa: parte em que se explica a importância do trabalho para a área de formação escolhida.
Introdução: com um panorama geral do assunto;
Desenvolvimento: trabalho teórico e de pesquisa, ou o plano de ações, se houver um cliente.
Conclusão: que faz a amarração de tudo o que foi estudado.

5 - Faça um cronograma e respeite-o
Por fim, Rachel ressalta a importância de saber organizar o tempo de forma a aproveitá-lo o melhor possível: "A melhor maneira de não se perder é desenvolver um cronograma e combiná-lo com seu orientador, com prazos de entregas e as etapas que devem ser cumpridas". O cronograma deve dar uma margem até mesmo para os imprevistos que possam surgir no meio do caminho. Além disso, é necessário deixar tempo para a revisão final, a impressão e a encadernação: "Portanto, terminar em cima do prazo é arriscado e perigoso", salienta. E se você "travar" no meio da elaboração do TCC? Diversas pessoas se queixam de, durante a escrita do trabalho, passarem por períodos sem idéias novas para escrever. O principal antídoto para o "branco" é a leitura da bibliografia com antecedência e se munir de livros e materiais. Por fim, Rachel Polito lembra que a conclusão imaginada no início do trabalho deve ser revista levando em conta os objetivos iniciais. "É importante lembrar que conclusão é uma etapa importante no trabalho e requer atenção especial. Um trabalho bem desenvolvido com uma conclusão fraca pode estar arruinado."

quarta-feira, 24 de junho de 2009

As Provas no Ensino Superior

Olá, Parceiros.
Achei um texto que discute a avaliação no ensino superior.
Quis colocá-lo aqui para gerar um debate, mas isto só será possível se as pessoas comentarem, derem opiniões... Este tema é sempre muito quente nos congressos de Educação Médica e acredito que seja também em todos os outros sobre educação.
Então, não fiquem tímidos... Comentem esta postagem; participem. Vamos aprender juntos. O grande objetivo meu ao construir este blog foi criar um espaço de convivência e de estudos que não dependesse de hora, nem de lugar.
Mas isto depende de seu comentário...
Obrigada!

Processo educativo

Mestre em didática e especialista em avaliação, Vasco Moretto defende que as provas do ensino superior deveriam ser vistas como um meio para indicar a construção de conhecimento do aluno

Quando se fala em avaliação no ensino superior, geralmente as instituições são colocadas no centro do debate. Mas ter uma metodologia que avalie os alunos de maneira eficiente também é relevante, apesar de o tema ser pouco discutido. E para tratar do assunto, poucas pessoas são tão qualificadas e entusiasmadas quanto Vasco Pedro Moretto. Mestre em didática das ciências pela Universidade Laval, em Québec, Canadá, e especialista em avaliação institucional pela Universidade Católica de Brasília (UCB), Moretto foi diretor pedagógico da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (Aeudf) e atualmente dirige a Vasco Moretto Consultorias Educacionais S/C Ltda.

Com experiência docente de 40 anos e diversas atividades dedicadas ao ensino e à capacitação de professores, Moretto é um dos responsáveis pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), primeira experiência brasileira de seleção diferenciada para acesso ao ensino superior em instituições de ensino superior públicas.
Um dos conferencistas mais requisitados para ministrar palestras sobre temas do cotidiano em sala de aula, Vasco fala com segurança e descontração. Para o educador, é preciso reformular a educação brasileira. Ele defende que "o critério para ser a melhor escola está na formação de cidadãos éticos e competentes". Após ministrar palestra para professores do colégio Bilac e da Faculdade de Tecnologia de São José dos Campos - Etep, Vasco concedeu a seguinte entrevista à revista Ensino Superior. Ensino Superior - Como fazer da avaliação parte do processo educativo, e não apenas a repetição do que foi discutido em sala de aula?Na verdade, a avaliação não é parte do processo educativo. Ela é o processo educativo. Não teria sentido, por exemplo, um professor elaborar uma ótima prova se ele ministra uma aula extremamente repetitiva. Assim como o contrário também não funcionaria. Então, o que deve haver é uma coerência nesse processo ensino-aprendizagem. Você ensina com o objetivo de que o aluno aprenda e sabe que ele aprendeu por meio de uma avaliação da aprendizagem. Essa coerência do que o professor ensina e da forma com que ele avalia a aprendizagem é o primeiro fator para encaminhar um bom processo educativo.

Ensino Superior - De que maneira a avaliação pode estimular as qualidades particulares de cada aluno? Eu faço uma distinção entre as palavras indivíduo e sujeito. O primeiro é a unidade da espécie humana. O sujeito é o indivíduo com sua história particular. Por isso, não deveríamos falar do tratamento individual, mas do tratamento "sujeital". Como cada aluno tem características próprias, a avaliação deveria ser também de acordo com as características de cada aluno. Mas não há como elaborar 30 provas diferentes para 30 alunos. O professor preparado vai buscar os elementos em comum do contexto social ao mesmo tempo em que consegue valorizar as tendências de cada aluno. Ele trabalha as individualidades sem esquecer do grupo como um todo. Infelizmente, no ensino superior há uma tendência em pensar que o aluno deve se virar sozinho. Mas eles ainda estão em formação. O professor do terceiro grau também precisa trabalhar na construção de conhecimento, entendendo conhecimento como representação social e não como uma descrição de elementos sociais.

Ensino Superior - Há diferenças na avaliação do ensino superior em relação às outras etapas do ensino? Afirmar que não devem existir diferenças é um erro. São trajetórias do processo de construção de conhecimento diferentes. Quem está em um curso do ensino superior já passou por etapas concluídas nos ensinos fundamental e médio. O aluno do terceiro grau precisa ter representações de situações mais complexas em relação a outro que está apenas fundamentando as bases de construção de conhecimento. Da mesma maneira, deve haver uma contextualização mais forte das situações a que ele vai responder. O que há de comum em todas as etapas é fazer com que os alunos sejam pensadores e não meros repetidores de informação.

Ensino Superior - As instituições de ensino superior, em geral, têm procurado implementar novas formas de avaliação? No meu entender, estão indo em busca disso por meio de um processo muito lento. Percebo uma vontade institucional para introduzir mudanças, porém há uma resistência grande dos professores, porque eles não foram preparados para isso, e reconhecer uma limitação às vezes causa um constrangimento. Só que é responsabilidade do professor utilizar instrumentos diferenciados para verificar o grau de construção de conhecimento do seu aluno. Mas isso tudo é uma mudança de metodologia, e antes é preciso haver uma mudança epistemológica, o que não aconteceu nos últimos 40 anos. O conhecimento não é apenas uma reprodução de informações e sim o significado que o aluno deu às informações que passaram a ele, como ele vai aplicá-lo no cotidiano. Aprendizagem é uma reconstrução contínua dos conceitos do que foi passado e as provas dos cursos superiores têm falhado exatamente nesse ponto. Elas continuam com o mesmo grau de profundidade daquelas preparadas no ensino médio.

Ensino Superior - Os métodos tradicionais de avaliação geralmente dão mais ênfase na aprovação do que na aprendizagem. Como escapar da ideia de que a avaliação é o objetivo final de um curso? O professor precisa distinguir desde o início duas coisas: o processo contínuo de avaliação e os momentos de avaliação. Ele deve estabelecer quais os conceitos básicos e periféricos das aplicações do seu curso. Os periféricos devem ser cobrados durante o semestre, por meio de provas, estudos de grupo. São momentos de análise que fazem parte da avaliação continuada. E no final do curso se faz uma avaliação da síntese. Pode ser feito por uma prova de múltipla escolha ou subjetiva. O que importa é perceber se o aluno construiu conhecimento ou somente decorou um conjunto de informações.

Ensino Superior - Existe um modelo ideal de prova? Não. Qualquer instrumento pode ser ótimo ou péssimo. As provas subjetivas não são sempre melhores do que as de múltipla escolha, como muitos pensam. Isso vai depender muito da competência do professor, em saber dar parâmetros aos alunos. O fundamental é avaliar a construção do conhecimento. O professor deve contextualizar e procurar obter as respostas em função do contexto. Não é a forma da prova que é importante, mas como através desse instrumento o professor vai verificar se o aluno construiu uma representação social para ele.

Ensino Superior - Em que momento do curso uma prova deve ser preparada pelo professor? Depende do planejamento do curso. O professor deve dividir seu curso em grandes unidades e estabelecer seus objetivos. Ao final de cada unidade ele deve aplicar uma avaliação para verificar a evolução dos alunos. Eu sou partidário de uma prova de síntese final do curso, que pode servir para alertar o aluno sobre qual assunto ele não domina, mas ela não pode ser a única. Nesse caso, se a atenção do aluno cai depois de quatro aulas, o professor não consegue verificar. Então, ele tem de dar instrumentos para acompanhar sistematicamente o aluno. Mas também não pode haver exageros. O excesso de provas pode provocar uma ilusão de progresso, já que o assunto estudado sempre vai estar fresco na memória. O ideal é escolher o que foi mais relevante depois de quatro ou cinco aulas e preparar uma avaliação.

Ensino Superior - Como observar a diversidade cultural e social em uma avaliação? Isso é um problema complexo. O professor deve entender que existe uma diversidade cultural e de personalidade dos seus alunos, mas que todos são o que [Immanuel] Kant chamou de "sujeito transcendental". Ou seja, um grupo de alunos pertence a uma sociedade que contém um conjunto de valores. O professor compreende que cada sujeito merece um tratamento individualizado ao longo do curso e do processo avaliativo, mas ao mesmo tempo cabe a ele perceber quais os valores comuns ao grupo e trabalhá-los. Os currículos e programas das universidades também precisam considerar essa questão, ter certos elementos que são comuns a esse grupo social.

Ensino Superior - Uma boa avaliação deve levar em conta o fator emocional de um aluno?Acho muito importante. Tanto que um dos pilares do modelo que desenvolvo sobre competência é o emocional. Quando algumas pessoas são colocadas em situações de cobrança, elas têm um desequilíbrio emocional, e isso também desequilibra o cognitivo. Cansei de escutar alunos que disseram ter estudado, mas que se esqueceram de tudo na hora da prova. Um professor competente estimula e tranquiliza o aluno, o leva a entender que se trata de um momento privilegiado de aprendizagem e não um acerto de contas. Por isso, acredito que uma solução é autorizar a consulta. Um profissional sempre consulta os meios de informação quando tem dúvida. Por que um aluno do ensino superior não poderia? A questão é que, dessa forma, o professor teria de elaborar uma prova inteligente, não algo para mera repetição. É uma mudança do conceito sobre a avaliação. Ela não é cobrança, mas um processo de colher indicadores da possibilidade ou não da construção de conhecimento do aluno.

Ensino Superior - A avaliação dos alunos pode servir para o professor se avaliar também? Claro. O processo de avaliação é um excelente feedback para o planejamento do professor. Há uma lógica: se o professor ensina para alguém que precisa aprender e se esse alguém não aprendeu, o objetivo não foi atingido. Então, no momento em que o professor percebeu que falhou, ele deve parar para analisar sua metodologia e procurar fazer mudanças. Por isso, a prova é um componente muito importante para essa verificação. Ela permite ao professor redirecionar continuamente o seu processo de ensino.

Ensino Superior - Como garantir que a visão do professor sobre determinado assunto não interfira na elaboração e na correção de uma prova? Não é possível elaborar instrumentos de avaliação em desacordo com sua ideologia, mas o texto pode ter um certo grau de isenção. Na ética de um bom educador não há espaço para o proselitismo. Ele não pode querer fazer dos alunos marxistas ou positivistas porque essa é sua visão sobre o mundo. Então, para amenizar, o professor deve ser muito claro e preciso nas suas perguntas. Em vez de questões abertas que possibilitem muitas interpretações, como "O que você pensa sobre" ou "Como nós poderíamos", é melhor pedir uma análise crítica de uma situação conforme determinada teoria. A partir daí ele tem de corrigir os textos de acordo com a lógica dos discursos e não com a sua expectativa sobre o que o aluno deve responder.

Ensino Superior - Uma boa prova deve questionar apenas o que foi ensinado em sala de aula ou pode exigir novas formulações do aluno? Esse é o grande erro das avaliações na educação brasileira. Uma prova não pode reproduzir apenas o que foi passado em sala de aula. Um curso deve capacitar o sujeito, através dos elementos ensinados durante as aulas, a abordar uma situação complexa, nova, e resolvê-la adequadamente. Na formação brasileira, se o professor der na prova uma questão que não está nos cadernos ou nos livros, vai existir uma pressão para que ela seja anulada. Essa é a diferença do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de outros países, onde os alunos são estimulados e instrumentados a responder questões que não conheceram antes.

REPORTAGEM DE Filipe Jahn, Revista Ensino Superior, Editora Segmento, n. 126, março de 2009